Do ponto de vista técnico, Alexandre Pato já deu mostras na carreira de que pode ser um grande reforço para o São Paulo. Mesmo assim, o clube vai enquadrá-lo tão logo ele chegue ao CT para ter certeza de que a pálida passagem pelo Corinthians não se repita no Morumbi. O principal ponto a ser atacado será seu comprometimento com o time e com os campeonatos, reclamação mais recorrente do período que ele defendeu o rival.
A leitura da diretoria é que Pato nunca teve uma cobrança realmente dura no Corinthians. Os dirigentes são-paulinos acreditam que é preciso um perfil mais duro para colocar seu novo jogador nos eixos. Aí entra Muricy Ramalho.
"Aqui ele terá um feitor caso não mostre vontade. O Muricy vai arrancar o couro dele se for preciso", disse ao Estado um dos diretores, sob a condição de anonimato. A expectativa é de que o treinador chacoalhe o atacante e o faça ficar mais preocupado com o futebol do que com a vida social. "Se o Muricy não conseguir, acho que ninguém mais consegue."
A princípio, o técnico não terá nenhuma conversa reservada com o atacante, mas, assim que ele estiver no grupo, dirá para o elenco que Pato é mais um e terá de lutar pelo seu espaço. A ideia é fortalecer o espírito de grupo que Muricy vem tentando imprimir no elenco e não deixar que ele se acomode e eventualmente contagie um grupo que ainda não se mostrou totalmente aguerrido. “A gente abre o clube para recuperar o jogador e o comportamento tem de ser exemplar. Isso já aconteceu com outros e eles sabem que precisam se adequar”, disse Muricy.
Assim, entra outra figura de imensa importância na história: Rogério Ceni. O goleiro não engoliu as provocações de Pato no Paulista do ano passado, quando fez sinal de silêncio para a torcida e para o goleiro após marcar tanto na primeira fase quanto na semifinal.
"O mundo dá voltas e é sempre importante você tratar todos com respeito. Se o clube o contratou, cabe a todos nós sempre receber todo atleta dando o maior incentivo possível", disse friamente à ESPN Brasil.
“CARINHO" DA TORCIDA
Ao menos por enquanto a diretoria não se mostra preocupada com os protestos da torcida organizada. “Claro que vem de um rival, mas ele é um jogador de futebol. Esperamos que eles ajudem, mas vão ajudar, tenho certeza”, minimizou Muricy.
Pato será enquadrado quando chegar ao São Paulo
Muricy terá conversa coletiva para cobrar comprometimento do atacante
Fonte Estadão
8 de Fevereiro de 2014
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