Para evitar tapetão, CBF forma comissão e aprova mudança em regulamento do Brasileiro

Fonte ESPN
O conselho arbitral da Série A foi realizado nesta quinta-feira, na sede da CBF (Divulgação)
Mais do que formalizar em documento o acordo firmado para que nenhum time se beneficie de decisões conseguidas na Justiça Comum, a CBF pretende dificultar ainda mais a busca por esse caminho através do regulamento do Brasileiro ainda a ser divulgado. No conselho técnico realizado nesta quinta-feira, em sua sede, a entidade nomeou uma comissão para estudar a alteração em um dos artigos que regem o campeonato.
O departamento jurídico da confederação e o presidente da comissão de clubes e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, ficaram encarregados pela mudança no texto.
Durante o encontro que aconteceu no Rio de Janeiro, a proposta foi votada e aprovada pela maioria das equipes. Eduardo Bandeira de Mello, do Flamengo, foi um dos mais incisivos na cobrança pela medida.
"A minha posição é de que as questões do futebol têm de se resolvidas na Justiça Desportiva. Já estava previsto isso no regulamento da competição, mas vão mudar um dos parágrafos para ficar ainda mais claro que os clubes têm de respeitar. O pessoal do jurídico da CBF com o presidente da comissão de clubes, Vilson (Ribeiro de Andrade), irão dar essa complementada para não haver brecha. É um assunto que já foi deliberado e será mudado. Falta apenas a redação do texto", afirma o mandatário do Figueirense, Wilfredo Brillinger, ao ESPN.com.br.
Não houve consenso em torno do tema, mas a maioria esmagadora dos dirigentes presentes na assembleia "ratificou" o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) como o fórum de discussão adequado para as decisões do campeonato.
O Bahia foi o único clube ausente no evento desta quinta-feira.
Os artigos 99 e 103 do Regulamento Geral de Competições já impedem, a princípio, a busca pela Justiça Comum.
A preocupação dos cartolas é de que, na primeira falha da arbitragem, os torcedores resolvam partir para essa esfera na tentativa de reverter uma decisão que, na teoria, em qualquer que seja o seu âmbito, deveria ser soberana. Foi dado o exemplo do caso do Botafogo-PB na Copa do Nordeste. O time provocou uma enorme confusão no regional com a anulação nos tribunais de uma mudança de mando de campo.
O presidente do Coritiba, Vilson de Andrade, retornou à capital paranaense ontem à noite e irá atuar na construção do novo texto a partir desta sexta-feira.
No fim do último ano, com o episódio Héverton, torcedores de Portuguesa, Flamengo e Fluminense acabaram recorrendo a liminares concedidas na Justiça Comum na briga contra o rebaixamento. A CBF anunciou a cassação de todas as ações ligadas ao clube paulista ainda durante a reunião.
A reportagem tentou contato com o diretor de competições da entidade, Virgílio Elísio, para comentar a mudança no regulamento, mas foi informada de que ele não poderia se manifestar naquele momento.
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