Sob desconfiança, Luis Ricardo quer provar seu potencial: 'Não vim por empurrãozinho de ninguém'

Chegada do lateral-direito de 29 anos ao Tricolor tem sido tratada com certo receio por parte dos torcedores são-paulinos, que lembram de seu passado recente como atacante

Fonte Lancenet
Ex-Lusa quer transformar desconfiança do torcedor em apoio (Foto: São Paulo FC)
Anunciado há menos de uma semana como primeiro reforço para 2014, Luis Ricardo ainda nem teve tempo para se ambientar ao São Paulo, mas já carrega um importante desafio para a próxima temporada: encarar a desconfiança do torcedor são-paulino.
Por ser atacante de origem e jogar na lateral direita há relativamente pouco tempo, a chegada do jogador de 29 anos foi vista de forma ressabiada pelos tricolores. Quadro que o ex-atleta da Portuguesa suará para mudar assim que entrar em campo com a camisa de três cores.
– O torcedor precisa me dar tempo para mostrar meu futebol. Não fui para o São Paulo por empurrãozinho de ninguém ou porque o Muricy gosta da minha cara. Fui por aquilo que construí na carreira e o torcedor não acompanha isso. Quem acompanha sabe que mereço. Surgem comentários do tipo “como é que podem trazer um cara desses?”, mas ainda não me viu jogar – disse, em entrevista ao LANCE!Net.
Luis Ricardo fez a transição do ataque para a lateral em 2009, já com 25 anos, quando jogava no Avaí sob o comando de Silas. Ao chegar na Lusa em 2010, voltou a formar a linha de frente, mas convenceu o então comandante Jorginho de que poderia atuar atrás. E Jorginho, assim como o torcedor são-paulino hoje, desconfiou inicialmente do atleta:
– Estávamos perdendo para o Barueri se não me engano, nosso lateral foi expulso, eu estava de centroavante e passei perto do Jorginho e falei: “Jorge, deixa eu terminar na lateral, já joguei aqui”. Ele me olhou desconfiado, joguei de novo como lateral na outra partida e continuei. Aí ele disse: “Você vai ficar aí”. Fui me aperfeiçoando e acabou dando certo.
Para Luis Ricardo, a chance no São Paulo poderá ser sua última grande oportunidade no futebol. E ao contrário dos torcedores, o lateral confia em seu potencial para confirmar a melhor fase de sua carreira e ter sucesso no Morumbi.
Confira mais da entrevista com o lateral-direito:
Crê que é a grande e última chance da sua vida profissional ou ainda terá uma oportunidade como essa?
Acredito que essa é a grande oportunidade da minha vida. Não terá outra. Vou jogar em uma equipe que eu torço e que me identifico desde criança. Meus familiares são são-paulinos. Já tinha até sonhado em alguma vez vestir essa camisa.
Do que lembra do São Paulo da época em que era torcedor?
Me recordo muito bem da época do Raí, Juninho, do Palhinha. Até acordei na madrugada do Mundial para assistir o São Paulo campeão com gol do Raí de falta. Isso vai ficar na minha memória. Desde essa época me imagino e sempre pedi a Deus... É que falar agora é fácil. É um sonho realizado.
Quando fez o gol contra o São Paulo, sabe em que pé estava a negociação com o clube?
Já tinha alguma conversa das diretorias, mas por questão ética acredito, detalhes de valores e tal, acabaram não divulgando isso para a imprensa. O que eu sabia era que realmente me procuraram e estavam encontrando dificuldades em relação a valores. Com o campeonato rolando, eu tinha que estar focado né. O gol para mim foi muito bom porque eu vi como é ter o torcedor do São Paulo a favor do time, apoiando o São Paulo logo depois. Vi que faz muita diferença. Eu pensando: “Tomara que dê certo de ir para lá”. Quando você é adversário, sente que faz diferença.
Na Ponte Preta, chegaram a te comparar com o Luis Fabiano. Como acha que será jogar com ele?
Naquela época muito foi falado pela imprensa, pelos gols, pela característica. Eles falavam que era meio parecido. Mas sem comparação nenhuma. Luis Fabiano é um goleador nato, um centroavante de Seleção Brasileira. Para mim é uma satisfação imensa de poder estar jogando com ele no mesmo clube. Agora em vez de jogar no ataque, vou ter que procurar levar essa bola para ele marcar os gols.
No São Paulo, gostaria de jogar na lateral mesmo ou na posição do Douglas, mais avançado?
Na Portuguesa tive várias oportunidades tanto na linha de trás quando na linha de frente. Preferência eu não tenho. O Muricy vai analisar o que for melhor.
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