Márcio "sofre" com ídolo Ceni e crê em salvação de São Paulo e Atlético-GO

Fonte Terra
Márcio chegou ao Atlético-GO no fim de 2006 e marcou 27 gols
(Foto: Atlético Goianiense / Divulgação)

A idolatria e o espelho nunca foram segredos de Márcio quando o assunto é Rogério Ceni. Artilheiro como o goleiro tricolor, o jogador está no Atlético-GO há sete anos e vê algumas semelhanças no momento que vive com o do colega. Pressionado para tirar seu clube da ameaça do rebaixamento na Série B do Campeonato Brasileiro, o arqueiro rubro-negro abriu o jogo ao Terra sobre a relação com o ídolo são-paulino e o futuro no Atlético-GO.
Márcio desembarcou em Goiânia no fim de 2006 e no início de sua primeira temporada em Goiás assumiu o gol do Atlético-GO. Mais do que isso, ganhou papel de protagonista e de líder no processo que levou o clube da Série C do Campeonato Brasileiro até a disputa inédita de uma competição internacional, a Copa Sul-Americana, no ano passado.
Do mesmo jeito que experimentou o sucesso, Márcio vem lidando com o fracasso atleticano do rebaixamento em 2012 e da grave ameaça de queda para a Série C. Mais maduro, aos 32 anos, o goleiro analisou o momento da equipe e da própria carreira. Falou sobre o desejo de deixar o Atlético-GO na Série B do Brasileiro e o possível fim de ciclo no clube goiano, mesmo possuindo vínculo contratual por mais uma temporada.
Acostumado a ver o são-paulino sempre brilhando, Márcio comentou o momento difícil do São Paulo, de pressão sobre Ceni e dos pênaltis desperdiçados pelo ícone tricolor. O goleiro atleticano revelou que “sente na própria pele” quando Rogério perde um pênalti, mas acredita que o ídolo encerrará a carreira, que considera irreparável e inatingível, com muita honra.
Confira a entrevista exclusiva de Márcio ao Terra:
Terra - Como foi o primeiro dia em que você decidiu cobrar faltas e pênaltis?
b>Márcio - Começou desde a divisão de base do Bahia, onde eu treinava e aí quando subi para o profissional o Vadão (técnico na época) permitiu que eu continuasse treinando. Depois ele me colocou para jogar e me incentivou. Não fiz gol lá, mas quando cheguei ao Atlético-GO retomei meus treinos e depois do primeiro ano comecei a fazer meus gols.

Após sete anos, o goleiro admitiu que pode sair do clube no fim da temporada (Foto: João Paulo Di Medeiros / MEI João Paulo Bezerra Di Medeiros - Especial para o Terra)
Terra - Você se inspirou em outros goleiros, como o paraguaio Chilavert ou o Rogério Ceni?
Márcio - Foi o Rogério. Claro que eu acompanhava o Chilavert também, mas foi o Rogério o precursor disso. Abriu as portas não só para mim, mas para outros goleiros que se aventuram a bater faltas. Foi ele que deu esse estímulo para todos nós.
Terra - Além de se espelhar nessa questão de fazer gols, você sempre cita o Rogério Ceni como um de seus ídolos. Qual sua relação com ele?
Márcio - É uma relação de admiração, de fã para ídolo, tenho ele como um ícone e me espelho em quase tudo. Essa relação se estendeu um pouquinho durante esses anos em que estivemos na Série A. Pude conhecê-lo, ele me presenteou com camisas, com livros dele - não que eu já não tivesse os livros. A admiração só vem aumentando e cada vez mais eu tento me espelhar nele.
Terra - Como você está acompanhando esse momento do Rogério Ceni? Você já chegou a desperdiçar pênaltis. Como está vendo essa situação?
Márcio - Não é um momento único dele, o São Paulo não vem bem. Independentemente da personalidade, da pessoa, da história, todos sentem nesses momentos difíceis porque o Rogério é muito envolvido com o São Paulo. Ele vê o São Paulo nessa situação e influencia diretamente no rendimento dele, mas acredito que isso é uma fase e o clube não vai cair. O Rogério vai terminar a carreira dele, se for esse ano, de forma honrosa. Sinto muito quando ele perde pênalti. O mesmo sentimento que ele tem quando ele perde um pênalti eu sinto na pele na mesma hora. Inclusive estava assistindo ao jogo contra o Corinthians. Já passei por isso de perder pênalti, mas também sei o quanto é difícil cobrar um pênalti. Torço para que essa fase acabe rápido e ele possa voltar a brilhar como sempre brilhou. Ele vem fazendo muito dentro do gol, defendendo muito, mas infelizmente nessa questão do pênalti o psicológico pesa um pouquinho.
Terra - Assim como o Rogério do São Paulo, guardadas as proporções, você é o Márcio do Atlético-GO. Isso te trouxe mais ônus ou mais bônus?
Márcio - Tem os dois lados, acredito que 50% para cada lado. A identificação com o clube te dá mais responsabilidade e você sofre mais com o que o clube passa. Aqui viemos de dois anos de dificuldade e esse ano está bem difícil também, mas a gente sempre acredita que as coisas terminarão bem. Tenho uma identidade grande, afinal de contas já são sete anos no clube, é por isso que se cria esse vínculo. Hoje sou ligado ao Atlético-GO e vou fazer de tudo para que a gente não caia e o torcedor possa sonhar com algo de bom para o ano que vem.
Terra - O que tem de semelhante entre o ano de 2010 e esse ano agora?
Márcio - Éramos debutantes na competição, o patinho feio, fomos lá dentro do Barradão e conseguimos manter a equipe na Série A, onde a diferença financeira faz realmente a diferença. Hoje vivo um momento mais maduro dentro do clube, mais consciente das coisas. Espero que a gente possa fazer como lá, a entrega de todos foi o crucial para evitar aquele rebaixamento. Traçando um paralelo com esse ano, acho que a dificuldade da competição.
Terra - Não é só a competição que está sendo difícil, mas tem a questão financeira que é delicada. Você como um dos líderes do clube tem que administrar também essa questão de cobrar a diretoria. Tem sido pesado carregar esse fardo?
Márcio - Esse é o ônus. Eu entendi depois de um tempo que existem pessoas que são colocadas em determinados cargos e têm que assumir algumas responsabilidades extras. Eu gostaria de chegar aqui para treinar e jogar, mas não dá para ser só isso. Quando você tem uma identidade, passa por momentos bons e ruins, você tem que fazer um extra. Demorei a entender essa situação, mas com o amadurecimento fui entendendo que deveria ajudar em outras áreas, sem esquecer de me cuidar. Às vezes errei dentro de campo por preocupar muito com os outros, mas é do meu perfil e fui administrando isso, hoje bem melhor do que no passado. O fardo é mais pesado, mas acho que posso suportar.
Terra - Você tocou na palavra amadurecimento. O que você busca para amadurecer?
Márcio - Se ficar só parado, o tempo passa e você não amadurece. Você fica podre, na verdade. Ler é sempre um bom exercício. Gosto de ler biografias de pessoas famosas e o interessante é que quase todas passam pelo mesmo processo, pessoas diferentes, mas com o enredo parecido. Além disso, observar. Aprendi muito a observar as coisas, as pessoas, o meu próprio comportamento, tenho que observar, filtrar e aprender. Acho que o tempo te dá um poquinho de experiência, mas se você ficar parado não cresce. Eu vou em busca do amadurecimento como pessoa e também como atleta.
Terra - Você disse que acredita que o São Paulo não vai cair e o Rogério Ceni vai encerrar sua carreira de forma honrosa. E aqui? Acredita na permanência do Atlético-GO e que você possa encerrar seu ciclo da mesma forma?
Márcio - As duas possibilidades podem ser reais. Acredito que o São Paulo não vai cair e se o Rogério acabar vai ser uma carreira brilhante, talvez uma carreira que nenhum outro goleiro consiga ter. Títulos, jogos, gols, vai ser só ele realmente. Aqui, acredito muito que não vamos cair, estamos buscando muito isso e se meu ciclo se encerrar aqui vou sair de cabeça erguida. Independente das circunstâncias, mas vou sair de cabeça erguida porque sempre dei o meu melhor e as pessoas que me acompanham sabem disso. Sabem que eu fui o mais verdadeiro possível, me irritei, chateei as pessoas também, mas sempre tentando o melhor. Se encerrar o meu ciclo aqui será de forma honrosa também.

Líder e capitão, Márcio chegou a ser sacado pelo técnico PC Gusmão (Foto: Atlético Goianiense / Divulgação)
Terra - Dentro dessa possibilidade de sair do Atlético-GO, isso aumenta o seu gás para a reta final da Série B?
Márcio - Aumenta. Quando o PC Gusmão chegou ele me tirou do time depois de alguns jogos e pediu que eu trabalhasse mais, pois viu alguns defeitos em mim e isso deu um estalo em minha carreira. Não que eu fosse acomodado, ou que me achasse titular absoluto, mas por várias circunstâncias você relaxa um pouquinho. Fiz o que ele pediu, queria que eu diminuísse meu percentual de gordura, estava nos parâmetros da comissão anterior, e eu fiz. Isso me deu um estalo, as coisas não são como a gente quer e sim como elas se apresentam e temos que nos moldar como elas se apresentam. Temos nove jogos, para mim são nove decisões de vida, pois tenho uma história bonita aqui e, querendo ou não, ficará manchada se acontecer esse retrocesso. Eu não quero, não vou deixar. Claro que foge ao que eu quero, mas o que for possível e imaginável eu vou fazer, junto com todos, para deixar o time pelo menos na Série B.
Terra - Você tem uma relação estreita com a torcida do Atlético-GO e sempre mostrou desejo de ver o estádio mais cheio. Por tudo isso, é um desejo seu defender um clube de massa novamente?
Márcio - Meu objetivo é sempre crescer na vida. Eu sempre respeitei o torcedor, os que vão e os que não vão, mas esses eu peço que vá. Eu sempre fui muito autêntico em minhas declarações e isso às vezes incomoda o torcedor. Ele não gosta de ouvir o que o jogador pensa e fica muito ligado que futebol é dinheiro, mas jogador não joga só por dinheiro, eu jogo por amor à minha profissão. E por isso, às vezes estreitamos essa relação. Entendo que o Atlético-GO não tem torcida de massa, mas já demonstrou que tem muito torcedor e às vezes esperava mais apoio e isso causou frustração. Mas, em contrapartida, nós jogadores não fizemos por onde em algumas situações e é por isso que vivemos essa relação de amor e ódio. Se eu puder um dia defender um clube de massa ficarei feliz, pois é sempre muito bom jogar com o estádio cheio.
Veja os 4 pênaltis perdidos seguidos por Rogério Ceni

Terra - Durante a entrevista você disse que o Atlético-GO vem de dois anos com muita dificuldade. O que está errado?
Márcio - Futebol se resume às quatro linhas para quem vê de fora, quem está dentro sabe que não é só isso. O clube passou por momentos difíceis nesses dois anos, muitas perdas, inclusive com falecimentos. Pessoas que ajudavam financeiramente e com apoio de presença no dia a dia. O principal ao meu ver foi a remontagem do grupo. Todos, inclusive amigos meus de outros clubes, falavam que era difícil enfrentar a gente por causa do nosso entrosamento. O torcedor escala o time de 2007, 2008 e 2009, mas de lá para cá foi desconfigurando e fomos perdendo a identidade, a união, esse entrosamento. Tecnicamente acho que foi isso, no mais é a questão da dificuldade das competições que foram ficando mais duras nos últimos anos.
Terra - Para concluir, se na partida contra o Guaratinguetá, última rodada da Série B, o Atlético-GO tiver um pênalti para cobrar e a oportunidade de escapar da degola você assume a responsabilidade?
Márcio - Eu respeito muito a opinião do treinador, ele não gosta de correr risco. Ele me coloca, mas dá duas outras opções para não correr risco. Ele sabe que na hora que precisar, em um momento crucial, ao meu ver não tem outra pessoa mais indicada para assumir essa responsabilidade, e eu estou pronto para isso. Estou disposto a colocar a cara à tapa para que o Atlético-GO fique na Série B.
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