Craque extremamente habilidoso e exímio driblador marcou época no Tricolor da década de 50
Um dos maiores ídolos são-paulinos de todos os tempos, o maranhense José Ribamar de Oliveira, popularmente conhecido como ‘Canhoteiro’, devido às suas notáveis e inesquecíveis atuações pelo lado esquerdo do campo, completaria, nesta terça-feira (24/09), 81 anos de idade se ainda fosse vivo.
Juntamente com outro craque tricolor de primeira grandeza, Zizinho, o mestre Ziza, Canhoteiro também foi eleito por Pelé um de seus maiores ídolos nos gramados.
Baixinho de 1,68 de altura e dono de um espírito ‘moleque’, o ponta-esquerda são-paulino aliava, com maestria, velocidade e habilidade, ‘entortando’ os seus marcadores. A exemplo de Garrincha, Canhoteiro foi uma das maiores expressões do futebol leve, malandro e irreverente de sua época.
Se Garrincha enganava os seus marcadores por ter as pernas tortas, Canhoteiro humilhava-os nos gramados por ter o corpo todo torto.
Curiosamente, embora o craque tricolor tenha atuado pela seleção brasileira na mesma época que o ‘anjo das pernas tortas’, eles nunca jogaram juntos.
O ídolo, que marcou seu nome de forma brilhante na história do São Paulo, chegou ao ‘clube da fé’ em abril de 1954, contratado junto ao América de Fortaleza (CE).
Segundo testemunhas da imprensa esportiva da época, o jogador que mais sofreu com os dribles desconcertantes de Canhoteiro foi o lateral-direito corinthiano Idário.
Aliás, atuando ao lado do mestre Ziza, o título mais importante conquistado por Canhoteiro com a nossa gloriosa camisa foi o Campeonato Paulista de 1957, vencido, justamente, em cima do Corinthians, por 3 a 1.
Pelo ‘mais querido’, o ponta-esquerda disputou 415 partidas, marcando 103 gols.
Embora fosse titular absoluto da seleção brasileira que se preparava para embarcar ao Mundial da Suécia, em 1958, Canhoteiro foi cortado às vésperas da viagem, em razão do seu medo mórbido de avião e, também, devido ao seu estilo de vida boêmio. Como é sabido, Zagalo assumiu a posição naquele time que se sagraria campeão do mundo.
Pelo escrete canarinho, o ídolo tricolor participou de 16 partidas, tendo marcado um único gol, justamente na sua estreia, contra o Paraguai, em novembro de 1955.
Canhoteiro faleceu em São Paulo, no dia 16 de agosto de 1974, aos 41 anos.

Gabriel Clemente