Janela de transferências divide opiniões entre clubes das Séries A e B do Brasileiro; veja o que dizem

Sob orientação da Fifa, a CBF operou - pela primeira vez neste ano - dois períodos de transferências para as contratações de clubes das Séries A e B do Brasileiro. Era uma mudança inevitável no futebol nacional. O resultado da experiência, que será repetida ano que vem, ainda divide opiniões entre presidentes e dirigentes dos times afetados pela nova regra.



Ao longo dos últimos dias, passado o encerramento das duas janelas de transferências no Brasil, o ge conversou com 12 representantes para entender o "saldo" desta mudança na visão dos clubes (veja respostas no fim).


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Na teoria, a principal diferença está na restrição de datas. Até o ano passado, os clubes poderiam contratar e dispensar jogadores a qualquer momento durante toda a temporada. Enquanto que, em 2022, só puderam fazer movimentações em dois períodos:

Primeiro semestre: 19 de janeiro e 12 de abril
Segundo semestre: 18 de julho a 15 de agosto

Na prática, os dirigentes observaram que equipes de menor recurso financeiro enfrentaram maiores dificuldades para a formação de seus elencos. A distribuição das datas, além da regulamentação sobre empréstimos e jogadores da base, também foram fatores questionados.

Como pensam os clubes
Três clubes entre os consultados avaliaram a mudança como negativa: Santos, Fortaleza e CRB. Outros quatro viram de forma positiva: Corinthians, Cruzeiro, América-MG e Criciúma. Houve ainda o Palmeiras, que observou a mudança como a oficialização de um conceito que estava consolidado. Além de outros quatro que destacaram que "o mercado precisará se adaptar": São Paulo, Sport, CSA e Brusque.



O Avaí também esteve entre os procurados, mas preferiu não se posicionar. O Atlético-MG não respondeu até o momento desta publicação.

Organização x Poder financeiro
A nova regra, na avaliação do diretor executivo de futebol do Cruzeiro, Pedro Martins, representa uma evolução da indústria.

"Acreditamos que contribuirá para que clubes estabeleçam um melhor planejamento de seus elencos e respeitem o orçamento programado inicialmente", afirma.

Trata-se de um posicionamento que encontra respaldo em outros clubes, mas com nuances distintas. O presidente do CSA, Omar Coelho, por exemplo, apresenta uma nova perspectiva, de que há dificuldades em razão "da pouca arrecadação nos três primeiros meses do ano".

Foi justamente essa perspectiva que transformou a adaptação do rival CRB em um pesadelo, na visão do presidente do clube, Mário Marroquim.

"É uma janela funciona quando os clubes têm efetivamente dinheiro para contratar muitos jogadores ou jogadores bons. Na nossa avaliação, as janelas foram uma tragédia para a Série B."

Calendário: a escolha das datas
A escolha das datas está entre os principais ajustes requisitados pelos clubes, como no caso do Fortaleza - que desaprovou as janelas - e também de América-MG e Palmeiras. Para os dois primeiros, a crítica está relacionada ao fim das janelas com as competições sul-americanas em andamento. Para o Palmeiras, o segundo período começou tarde.

- A janela para chegada de atletas teve início somente em 18 de julho, embora o calendário de competições seja mais curto, em função da Copa do Mundo. A discussão acerca do calendário é fundamental para que as janelas de saída de jogadores para o exterior tenham um impacto menor - avalia o diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros.

Atletas da base, empréstimos...
As últimas reinvindicações dos clubes, neste momento, foram centradas na extensão das regras para atletas da base e em caso de empréstimo de jogadores para outras equipes. Essas foram questões levantadas por Cruzeiro, Sport e Brusque neste momento.

- A atual janela de datas não dialoga com a necessidade específica de algumas categorias de base - avalia o diretor executivo do Cruzeiro.

CBF: entidade responde sobre a mudança
Em meio aos questionamentos do clube, a reportagem procurou a CBF através da assessoria da imprensa para entender as escolhas de datas para as janelas, assim como a possibilidade de alterações na regra para o próximo ano.

Como definiram em que período as janelas aconteceriam?
Pela regulamentação da Fifa, cada mercado pode contar com 2 períodos anuais de registros de atletas, comumente chamados de janelas de transferências. A primeira, no início da temporada esportiva, tem duração de 12 semanas. A segunda, de menor duração, é fixada no meio da temporada, com 4 semanas no total. Em 2022, estas janelas passaram a ser aplicáveis também para as transferências domésticas em relação aos clubes das Séries A e B.

Por conta disso, as datas foram calibradas para atender ao início do turno e returno destas Séries. O processo também envolveu conversa com federações e clubes destas Séries para o acolhimento de sugestões.

Como definiram o tempo de duração das janelas?
A duração é regulada diretamente pela Fifa.

Haverá mudanças nas regras para 2023?
O Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol – RNRTAF é um documento vivo, sendo atualizado anualmente para acompanhar as mudanças do mercado e dar suporte ao crescimento organizado e controlado do futebol. Como exemplo, a Fifa editou este ano novas regras sobre empréstimos de atletas e editará nova regulamentação sobre pagamentos nas transferências internacionais, com a criação da Fifa Clearing House em outubro.


Até o final deste mês, a CBF encaminhará a minuta do novo Regulamento 2023 para consulta pública junto às federações filiadas e clubes. A edição será em dezembro para início de vigência a partir de 1º de janeiro de 2023.

Veja o que dizem os clubes: esse formato de duas janelas funcionou? Gostaria de ver ajustes?
Presidente do São Paulo, Julio Casares
"Eu não vejo problema. O brasileiro se adequa, o mercado se adequa a uma nova realidade. Foi normal, tivemos respostas nos mercados realizados. O mercado acompanhou bem, mesmo em um ano difícil como este, de Copa do Mundo. Acho que o mercado acompanhou bem."

Diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros
"O mercado de transferências com duas janelas abertas em períodos distintos do ano já está consolidado há muito tempo no Brasil. Podemos evoluir, contudo, na questão das datas, sobre a qual todos nós, profissionais de futebol, temos responsabilidade. Nesta temporada, por exemplo, a janela para chegada de atletas teve início somente em 18 de julho, embora o calendário de competições seja mais curto, em função da disputa da Copa do Mundo nos meses de novembro e dezembro, no Catar. A discussão acerca do calendário, aliás, é fundamental para que as janelas de saída de jogadores para o exterior tenham um impacto menor sobre os clubes brasileiros".

Presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves
“É um movimento do futebol mundial que agora temos aqui também no Brasil. Obriga os clubes a se planejarem melhor e de forma mais organizada. Agora os empréstimos precisam seguir as novas janelas e não mais datas de encerramento das competições estaduais, por exemplo. Devemos ficar atentos também aos contratos já vigentes. Eu gostei, precisamos ajustar datas para não perder oportunidades de reposição de peças caso existam vendas para o exterior. A janela do Brasil fechou 15/08 e seguiu aberta para fora até o início de setembro.”

Presidente do Santos, Andres Rueda
"Eu não gosto muito, não (do formato de duas janelas). Você acaba centralizando muito. E a responsabilidade dos clubes em correr. Acho que poderia ser mais espaçada. Uma janela só, mas com mais tempo".

Sérgio Papellin, Executivo de Futebol do Fortaleza
"Não achei legal essa janela de meio de ano, principalmente para os clubes que disputam as competições sul-americanas, pois enquanto as janelas estão abertas em outros países sul-americanos, aqui no Brasil está fechado e perdemos a possibilidade de inscrições para as fases mais importantes dessas competições."

Diretor de Futebol do América-MG, Fred Cascardo
"Pelo objetivo que foi traçado para contratação, foi positivo. Planejamos o elenco dentro da temporada e conseguimos dentro dela atingir os objetivos até a segunda janela. Com o nosso orçamento e com o que a gente tinha traçado dentro do ano, eu vejo como forma positiva. Na segunda janela procuramos ajustar um ou outro detalhe que teríamos que fazer investimento. Na segunda janela fomos mais objetivos.

Com certeza gostaria de ver ajustes. A janela nacional não pode competir com a janela internacional, isso seria um ajuste. Outro ajuste, se não me engano, a inscrição para a Copa do Brasil se encerrou antes do término da segunda janela. A gente, que passou para fase seguinte, poderia ter feito as inscrições de Martínez e Mastriani e não conseguimos, porque acabou a inscrição antes do término da janela. Isso não permitiu que se avançasse de uma maneira mais tranquila. O prazo nos dificultou e não nos permitiu a inscrição de dois atletas na Copa do Brasil.

E contratações na segunda janela foram difíceis por concorrer com janelas internacionais. A moeda estrangeira é muito mais valorizada que o real, o jogador pode optar por jogar no exterior, até pelo lado financeiro. E outro (ajuste), o número de jogos que atuou na Série A. E deixar livre transferência de Série A para Série B e vice-versa (o ano todo), não deveria engessar essa regra."

Diretor executivo de futebol do Cruzeiro, Pedro Martins
“A organização do mercado de transferências através de duas janelas é avaliada de maneira positiva e representa uma evolução da indústria. Acreditamos que este movimento contribuirá para que clubes estabeleçam um melhor planejamento de seus elencos e respeitem o orçamento programado inicialmente.

O próximo desafio será o estabelecimento de uma regulação específica para transferências de jovens das categorias de base, a atual janela de datas não dialoga com a necessidade específica de algumas categorias.”

Executivo do Sport, Jorge Andrade
"Acho que a gente tem que se adaptar. É a nova legislação. O mercado vai ter que adaptar os profissionais que trabalham nos clubes.

Tem que ter algumas mudanças, por exemplo, principalmente para jogadores de base. Depender da janela, na minha opinião, é ruim. Mesmo que sejam profissionais, estão ainda em formação. A gente disputa o Estadual Sub 17, Sub 20, às vezes tem um jogador do interior que é profissional e não pode vir. Isso aconteceu no Sub 23.

Além disso, jogadores que retornam de empréstimo, se ele voltar fora do período de janela, não pode jogar. Então agora temos que fazer os contratos pensando nisso. Quando fizemos empréstimos, a janela não estava estabelecida. São essas principais adaptações."

Presidente do CRB, Mário Marroquim
"As janelas foram muito difíceis de adequação da Série B, muito difíceis mesmo. Nós tivemos problemas porque você não consegue trocar os jogadores na hora certa, a janela fechou ainda com o campeonato estadual em curso e você não poderia liberar o pessoal do estadual e iniciar uma Série B. Então houve um problema imenso de conflitos de datas.

E uma janela funciona quando os clubes têm efetivamente dinheiro para contratar muitos jogadores ou jogadores bons. Se você tiver trabalhando para montar um elenco, terá mais dificuldade. Na nossa avaliação, as janelas foram uma tragédia para a Série B.

Inclusive, nós solicitamos que abrisse essa janela, ao invés de duas, que sejam três ou até quatro janelas para poder dar oportunidade dos clubes de irem ao mercado."

Presidente do CSA, Omar Coêlho
"Acho que as janelas foram importantes para a evolução do futebol brasileiro, que se adequa ao sistema europeu, principalmente, mas de forma mais maleável, haja vista que, diferentemente, daquele que só abre uma única vez ao ano, o nosso funciona em duas etapas.

Isso obriga os clubes a planejarem melhor suas temporadas, que para clubes menores traz grande dificuldades em razão da pouca arrecadação nos três primeiros meses do ano, quando você já tem que montar uma equipe para o campeonato estadual e as Copas do Brasil e do Nordeste, no caso do CSA, por exemplo.

Entretanto, acho que devemos nos acostumar e adaptar-se, porque qualifica melhor a gestão dos clubes."

Executivo de futebol do Criciúma, Juliano Camargo
Ao meu ver, funcionou sim. Os clubes que se organizarem melhor terão melhores resultados, porque os obriga a contratarem com mais critérios e não poderão errar muito.

Acredito que terão que fazer alguns ajustes para não haver disparidade entre os clubes da Série A e B e os da C e D, que não tem a janela de transferência e podem contratar a qualquer momento (principalmente os clubes que disputam o Brasileiro Sub-23)… Neste caso tem clubes da Série C que disputam esta competição. E também ajustar o final da primeira fase das competições da C e D para os clubes terem um prazo maior para poderem contratar atletas oriundos destas competições.

Diretor de futebol do Brusque, André Rezini
“Pra nós é tudo novidade. Nós como clube, e pra nós do executivo também, nós temos que estar atentos ao mercado e entender bem nesse primeiro momento como funcionava essa questão da janela de transferências.”

“Os clubes têm mais estrutura e mais orçamento. Eu entendo que a janela de transferências é mais interessante, porque você consegue montar um elenco mais qualificado, com a quantidade maior de atletas. Os clubes que não têm tanta estrutura física, principalmente orçamentária, não têm condições de montar um elenco maior, e você corre o risco durante o primeiro turno, ou o segundo turno por perder alguns atletas, por “N” motivos por lesão, cartão ou saída pra algum país com janela aberta. Nós ficamos à mercê disso.”

“Eu vejo só um ponto negativo, emprestamos alguns atletas pra alguns clube de Série C, e Série D, os contratos de empréstimos acabaram após o término da janela, no dia 15 de agosto, e esses atletas não podem retornar ao Brusque, e eles são do Brusque. A CBF precisa melhorar nesse ponto, porque agora nós temos um atleta que está vindo do Brasil de Pelotas, e outro do Caxias, e o contrato de empréstimo acabou depois que acabou a janela. Nós entendíamos que como eles são atletas do Brusque, independente de quando encerra o contrato de empréstimo, eles voltariam naturalmente para o Brusque, mas eles não voltam, ficam stand by com o contrato no sistema. Jonathan e Diego Mathias não podem retornar ao Brusque, o Brusque não pode utilizá-los na Série B, não pode emprestar um atleta em um campeonato regional, e o Brusque precisa ficar pagando o salário, pois é um ativo do clube."

“Eu entendo a CBF com essas questões das janelas, e as demais no mundo, e nós temos que nos adaptar ao mercado mundial, nos profissionalizarmos nesse sentido, e ficarmos alinhados, pois não podemos ficar contratando aos montes. Acho interessante nós nos alinharmos ao mercado mundial, apesar que nos primeiros momentos, temos algumas dificuldades, é tudo novo para nós, tanto clube, tanto executivo, mas na sequência fica mais fácil de ir se adaptando.”

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Comentários (1)

23/09/2022 12:01:19 Lorival Junior

Tudo precisa de adaptação logo logo se acostuma séria melhor ainda se fosse como é na Europa ficaria melhor ainda

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