Pra rir: Ninguém quer pagar pra rebatizar o Itaquerão!
Itaquerão é Itaquerão. Sem Lula para ajudar, ninguém quer pagar para rebatizar Itaquerão…
"A noiva não querer casar é uma coisa.
Agora, espalhar que deu o 'não' é sacanagem.
O Andrés está babando de raiva."
Ouço essa curiosa definição de um aliado íntimo do ex-presidente do Corinthians.
Ele estava descansando do desfile da Gaviões da Fiel, que acompanhou de perto.
A baba de Andrés se referia à postura pública do BMG.
O vice-presidente Marcio Alaor confirmou à Isto É Dinheiro o que pude publicar há mais de um mês.
A enorme dificuldade de o Corinthians encontrar uma empresa para vender o nome do seu estádio.
"O Itaquerão sempre vai ser o Itaquerão.
Ninguém vai chamar o estádio de BMGzão", resumiu.
Engenhão, Maracanã, Pacaembu, Mineirão e tantos outros estádios são a prova viva do que disse.
Há um mês tive acesso à busca desesperada da diretoria corintiana de uma empresa para bancar o naming right do estádio.
Na época, mais de 15 foram procuradas.
Desde bancos, estatais, empresas aéreas, alimentícias, fabricantes de material esportivo.
E foi revelado aqui uma das razões principais para ouvir tantos não.
Itaquerão já é o nome de batismo popular do estádio corintiano.
E ninguém vai simplesmente deixar de chamá-lo assim por imposição do dinheiro.
O mau humor de Andrés no desfile da Gaviões tinha explicação na série de não que vem ouvindo.
E, principalmente, por haver perdido dois aliados importantíssimos nesta luta.
O primeiro é o ex-presidente Lula.
Doente, ele está impossibilitado de dar os telefonemas que o ex-presidente corintiano contava.
E Dilma Rousseff tem uma postura completamente contrária a de Lula.
Não quer se envolver ou pedir favores em nome de qualquer estádio.
Se fizer pelo Corinthians, Dilma sabe que haverá uma fila de 11 administradores das arenas da Copa pedindo ajuda.
É tudo o que ela não quer.
E além do mais, ela barra a participação de estatais.
Interlocutores dizem que ela considera 'indecente' supor uma estatal dando dinheiro para ter o nome no Itaquerão.
Já chega toda a ajuda governamental para o estádio sair do projeto.
O governador Geraldo Alckmin também já avisou que não quer nem ouvir falar de naming right.
Colocou R$ 70 milhões na construção porque foi obrigado politicamente.
Não poderia ficar totalmente de fora do estádio do clube mais popular de São Paulo.
O campo que abrirá a Copa do Mundo.
Assim como Gilberto Kassab acredita que ajudou demais com os R$ 420 milhões de isenção que conseguiu.
Andrés não esperava pela crise envolvendo Ricardo Teixeira.
Contava com seu poder para buscar patrocinadores para a Arena.
Serviria qualquer um que patrocina a seleção brasileira, por exemplo.
Nike, Vivo, Ambev, Itaú, Nestlé, TAM, Gillette, Volkswagen, Grupo Pão de Açúcar, Seara e relógios Parmigiani.
Qualquer um dos 11 patrocinadores oficiais serviria.
Mas não houve interesse de ninguém.
A crise na Europa e nos Estados Unidos é uma enorme barreira também.
A fragilidade política de Ricardo Teixeira, a incerteza de que continuará até 2014 pesa contra o Corinthians.
"O Ricardo só sai quando o Sargento Garcia prender o Zorro", repete, raivoso, Andrés.
Foi ele quem mais implorou para o presidente não abandonar a CBF.
Ronaldo também está tentando o quanto pode.
Mas não conseguiu ainda convencer algum dos clientes a sequer pensar na hipótese.
Ele tem uma proximidade enorme, virou amigo mesmo do presidente da Gillette no Brasil.
Tarek Farahat não se interessou pelo negócio.
O vice-presidente Luiz Paulo Rosenberg também tenta ajudar.
Só que sofreu um enorme golpe.
Foi punido pelo Banco Central.
Está proibido por oito anos, de exercer qualquer cargo de direção da administração ou gerenciamento de instituições financeiras.
O motivo: ter sido conselheiro do banco Pan-Americano.
Ex-diretores do banco são acusados de fraudes financeiras.
Rosenberg como conselheiro já foi punido com essa suspensão de oito anos.
Um baque para quem representa o Corinthians nas milionárias negociações envolvendo o nome do estádio.
Andrés deve estar babando, mesmo, de raiva com a direção do BMG.
Márcio Alaor revelou a pedida de R$ 350 milhões.
Chegou a várias empresas o número de R$ 450 milhões, no mínimo, para dar o nome ao Itaquerão por 20 anos.
Nem um centavo a menos.
Tanto que para a Petrobrás pediu R$ 30 milhões por ano.
O que daria R$ 600 milhões em duas décadas.
O desconto de R$ 50 milhões foi um sinal do desespero que atingiu Andrés.
Ele havia prometido anunciar o acerto com uma empresa logo após a eleição corintiana.
A promessa ajudou seu pupilo, Mario "futebol é business" Gobbi.
Mas vem se tornando vazia.
O único progresso do dirigente foi com a TV Globo, cuja maneira de negociar comparou com a dos 'gângsters'.
A emissora carioca se refere ao Itaquerão como Arena Corinthians.
Mas executivos da Globo já disseram a Andrés que é o máximo que vão fazer.
Nunca a emissora vai se referir ao Itaquerão com o nome do patrocinador.
Andrés disse que já estava bom.
Tudo o que ele não queria é o que o mercado está cansado de saber.
E que foi colocado de forma explícita por Márcio Alaor.
"O Itaquerão sempre vai ser o Itaquerão."
A 'noiva' tem motivos concretos para espalhar o 'não' ao Corinthians...
Fonte:http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/2012/02/21/apesar-do-desconto-de-r-100-milhoes-nenhuma-empresa-quer-jogar-dinheiro-fora-itaquerao-e-itaquerao-sem-lula-para-ajudar-ninguem-quer-pagar-para-rebatizar-itaquerao/
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