Troca de Técnicos (Tentativa e Erro)
Parece óbvio, mas muita gente ainda não entende, incluindo a maioria dos dirigentes brasileiros: O melhor técnico é aquele que se encaixa ao perfil do elenco. Não importa se o técnico é mais ofensivo ou defensivo. Ambos os estilos já se provaram vitoriosos. A Copa do Mundo é um exemplo disso. Já ganhou a Espanha e este ano a França com estilos completamente diferentes.
No Brasil, este ano, quem se lembra das mudanças de técnicos que deram certo? Lembro do Atlético Paranaense. Que estava muito mal com o Fernando Diniz e parece que melhorou da água pro vinho com o Tiago Nunes. Isso simplesmente porque o elenco do Atlético não se encaixa no estilo do Diniz.
Outro exemplo é Felipão. Que é um técnico limitado, sempre foi, mas que funciona bem se tiver as peças adequadas. Dorival Júnior é a mesma coisa. Foi muito mal no São Paulo e está bem no Flamengo.
O São Paulo do Dorival era um catadão e o Aguirre transformou num time competitivo. E as queixam eram de que o São Paulo do Aguirre jogava só na retranca, sem posse de bola e feio. Talvez não seria o que esse elenco pode fazer de melhor?
Dá pra jogar diferente com esse elenco? Bem, o Jardine está tentando e o resultado é um empate, uma vitória e uma derrota. E é provável que ganhe do Sport (porque o Sport é muito fraco) e empate ou perca pra Chapecoense.
Geralmente, no Brasil, a adequação entre técnico e elenco se dá no método da tentativa e erro. Aliás, muita coisa é feita desse modo na sociedade brasileira.
Então se troca, troca, troca até acharem um técnico adequado. Com o São Paulo, infelizmente, é a mesma coisa.
Até a pouco tempo atrás era comum, toda vez que havia troca de técnico, chegarem uma renca de jogadores pedidos por esse técnico. Um dos segredos do sucesso do Luxemburgo na década de 90 era que ele pedia uma baciada de jogadores que se encaixavam no seu perfil de trabalho. Isso era muito comum com outros treinadores na década de 90.
A maioria das pessoas desse espaço tem pedido Abel, Cuca, Carille ou Luxemburgo como se houvesse certeza de que eles dariam certo treinando o São Paulo. Só darão se eles se eles tiverem um elenco adequado. Tem gente pedindo um técnico com perfil “vencedor”. Ora, o Marcelo Oliveira é bi-campeão brasileiro e campeão da Copa do Brasil e ninguém o cogita pra treinar o São Paulo.
Aliás, tirando Cuca, Abel, Carille ou Renato Gaúcho, quem resta pra dirigir o São Paulo? O nível dos técnicos brasileiros não é bom.
De qualquer modo, se continuar com essa mentalidade de tentativa e erro, o São Paulo ainda vai demorar um tempo até voltar a ser campeão.
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