Está na hora de começarmos a falar de Edgardo Bauza
Texto um pouco longo,que não é de minha autoria,mas concordei com praticamente tudo que foi dito,achei interessante e estou postando aqui pra ver a opinião de vcs.Talvez nem todos leiam,mas enfim.Vale a pena.Deixo aqui o link original:
http://falabandana.com/colunas/perecini/esta-na-hora-de-comecarmos-a-falar-de-edgardo-bauza/
Antes de qualquer coisa, quero começar dizendo que fiquei muito contente com a contratação de Edgardo Bauza e o argentino continua com meu total apoio. Acho que ele é o homem certo para um trabalho de reestruturação a longo prazo dentro das quatro linhas. Particularmente, acharia um absurdo que sua demissão acontecesse em caso de, por exemplo, eliminação na fase de grupos da Libertadores – o que, por sinal, está bem próximo de acontecer.
Então, por que proponho que falemos do bicampeão continental? Apesar do parágrafo anterior e de seu excelente currículo, Bauza vem tendo sérios problemas com algumas convicções que eu, humildemente, acho bastante contestáveis e claramente vêm atrapalhando seu trabalho e, consequentemente, o São Paulo.
Vamos começar pelo mais simples e “antigo”: Centurión. Tentarei simplificar: não há a menor condição de o camisa 20 ser titular. E isso faz tempo. Enfrentamos um time semelhante ao semiprofissional César Vallejo na quarta-feira e eu tenho sérias dúvidas se o Centurión teria espaço naquele time. Conseguiu errar tudo o que tentou em 69 minutos de futebol em (mais) uma atuação vergonhosa. Não sei – e nem quero saber – o porquê dele não estar rendendo, eu só sei que enquanto isso não mudar, não podemos deixá-lo no time titular esperando o dia que ele começará a apresentar resultado. Está atrapalhando muito!
Minha próxima questão é: não tenho o menor problema em um estilo de jogo mais defensivo ou que priorize a defesa. Acho que o futebol tem diversas maneiras de ser jogado e cada uma tem a sua beleza. Aliás, acho o momento bastante apropriado para o time atual se fechar durante os jogos. Mas me incomoda muito um erro nítido de estratégia. Um time que se propõe a jogar no contra-ataque e ter na defesa o seu ponto forte, precisa ter um fator fundamental para dar certo: velocidade e transição rápida, que estão longe de estarem presentes.
Primeiramente pelas peças. Centurión é nulo e tanto Carlinhos quanto Michel Bastos não possuem rapidez com a bola. Ou seja: o São Paulo se defende, recupera a bola, e fica tocando sem movimentação ou velocidade. O resultado estamos vendo: nem contra o fraquíssimo Trujillanos, que deu todo o espaço do mundo, conseguimos criar oportunidades devido (também) às peças erradas para esse esquema de jogo.
Se o Centurión voltar a ser aquele atleta veloz, driblador e objetivo de algumas atuações de 2015, ele poderá ser uma das peças pela ponta. Até lá, Rogério, Kelvin e até Lucas Fernandes (por que ninguém dá uma chance para esse garoto?) precisam ser titulares para dar, além de velocidade e drible, infiltrações pelas diagonais, outro fator nulo em 2016. Não é incomum ver os jogadores chegarem à linha de fundo e apenas Calleri/Kardec parados na área contra todo o sistema defensivo adversário. Ou Ganso e Thiago Mendes receberem próximos à área e ninguém se infiltrar para receber ou abrir espaço para o lateral. E os que tentam fazer, ficam no banco. Não dá para entender.
Sem essa correções táticas no time titular, não teremos grandes evoluções pelos motivos já citados. A compactação da equipe, o acerto total do sistema defensivo e todo o resto virá com o tempo que Bauza precisa ter para organizar, passar suas ideias e, principalmente, trazer novos atletas a um time pobre de técnica, alma e atitude.
Atitude, aliás, que passou longe da última partida na Libertadores, encarada como “final” e jogada como amistoso. Um time ridículo como o da cidade de Valero, que deu total espaço e condição para o São Paulo fazer o que quisesse em campo. E aí, independentemente de esquema, peças e o que mais estiver envolvido, era obrigação daqueles que estavam no gramado pelo menos lutar para criar alguma coisa. Mas a passividade chegou a ser nojenta, em especial pelas circunstâncias. O resultado foi reflexo disso.
Para finalizar, vale o registro: nesta semana, Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid, deu uma excelente entrevista ao Cancha LLena, do La Nacion, e, dentre várias coisas muito importantes e bacanas que disse, uma delas foi ressaltar que, em outras palavras, um treinador precisa se adaptar ao estilo dos jogadores que tem para tirar o máximo de cada um. Cláudio Ranieri, técnico do Leicester, disse a mesma coisa recentemente. Simeone ainda ressaltou que não se pode jogar da mesma maneira sempre, contra adversários completamente diferentes; afirmou que o jogador do seu time precisa ter paixão, “sentir” o jogo; que não negocia o trabalho com os atletas, que eles precisam “querer”; e que o que mais o irrita é a preguiça dos jogadores. Enfim, a entrevista ficou fantástica e a Trivela selecionou os melhores momentos. Vale a leitura (clique aqui para ler na Trivela e aqui para a entrevista original).
Resumindo: sabemos dos problemas fora de campo e da, digamos, peculiaridade desse elenco, que nem sempre se entrega ao máximo (para ser bonzinho). Mas os problemas táticos também existem e passam pela visão do técnico em percebê-los e consertá-los o quanto antes, para que, pelo menos dentro das quatro linhas, possamos começar a ver uma real evolução e um pouco mais de dignidade.
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