A completa falta de noção da diretoria são-paulina
Amigos,
Esta é a primeira vez em que escrevo neste site. Criei uma conta e login para isso. E gostaria de deixar bem claro que a evidente referência que o título deste post faz a outro (que pode ser lido em http://spfc.terra.com.br/forum2.asp?nID=330123 ) não é uma resposta de discordância absoluta. Creio que no texto que li e que, creio, muitos de vocês leram, há boa dose de ideias com as quais concordo plenamente. Mas tenho que me permitir fazer, com todo o respeito, algumas devidas ressalvas. Alguns pensamentos meus vão por caminhos diferentes e gostaria de compartilhá-los com vocês.
Creio que hoje o grande problema do SPFC não passa por resultados. Se assim fosse, estaríamos ao menos comemorando uma vaga à Libertadores, torneio que tanto disputamos e do qual gostamos tanto. A questão, acredito, é de credibilidade. É difícil acreditar no São Paulo. E não digo isso porque o clube não tem dinheiro, porque está sem patrocínio, porque tem um elenco com peças de qualidade duvidosa e não apresenta reforços. Digo isso porque falta à diretoria do clube o valor mais essencial em um relacionamento (como o que se deve estabelecer com a torcida, maior patrimônio da instituição): a transparência.
Quando a torcida reclama pela ausência de um técnico, não é somente porque Cuca não veio, Aguirre não veio, ou qualquer outro treinador. A torcida reclama porque ao protelar essa resolução, a diretoria faz pouco caso da voz que vem das arquibancadas. Querem um exemplo claro desse descaso? Quando o time perdeu para o Corinthians, o presidente do clube, Leco, veio a público para prometer que, até o final daquela semana, a questão do treinador, que vinha sendo tratada já, seria resolvida. Findo o prazo, absolutamente ninguém do clube procurou a imprensa para pedir desculpas ao torcedor. Não parece ao presidente um compromisso assumido e não cumprido com quem paga para ir tarde da noite ver um jogo e sair do Morumbi sob chuva, às vezes sem transporte adequado para voltar para casa. É simplesmente algo que foi dito e, paciência, não deu certo. Não há responsabilidade. Se, talvez, Leco tivesse pedido desculpas à torcida, explicado como está difícil contratar um treinador, talvez o torcedor fosse mais paciente. Se Leco tivesse dito que em 2016 o treinador será Milton Cruz, acostumado ao elenco e alguém que se encaixa na realidade financeira do clube, a torcida poderia concordar ou discordar. Mas ela não tem posicionamento. E o ano vai virar. Nós, que começaremos a Libertadores antes, teremos de nos planejar depois. O problema não é o rumo escolhido. É não escolher rumo algum.
Quando o torcedor não enxerga contratações de jogadores (e sim, concordo que muitos nomes sugeridos são inviáveis), não reclama apenas disso. Mas do fato de, não tendo um treinador, não haver quem possa ser responsabilizado pelo fracasso de um elenco no próximo ano que um comandante que chegue não ajudou a montar. Ou alguém acredita que Ataide Gil Guerreiro, que prometeu sair se não houvesse títulos esse ano, vai assumir a culpa e o ônus no próximo ano? Não vai. Mas o time não apenas não tem alguém para sentar à mesa e, como comandante no próximo ano, discutir nomes. O problema vai além. Os poucos nomes que se adequam à realidade do clube e que transmitem ao torcedor o mesmo comprometimento e garra que tanto faltaram este ano no elenco, são ignorados pela diretoria. Alguém se lembra do Lugano? Sim, mas Lugano é um jogador mais velho. Sim, Ricardo Oliveira, Zé Roberto, Renato também o são. Sim, mas Lugano é destro, e precisávamos de um zagueiro canhoto. Sim, mas terminamos o campeonato, após a contusão de Luiz Eduardo, com um destro jogando do lado esquerdo (Lucão), mesmo com um canhoto (Edson Silva) no elenco. Bobagens. Não são questões técnicas que afastam o zagueiro uruguaio do time (como Josué, que teve seu nome pedido pela torcida nas redes sociais nos últimos dias). O que afasta é o posicionamento da diretoria. Quando esta diz não a "El Dios", ela diz não a todos aqueles que, da arquibancada, julgavam ser importantes para o clube. Ela mostra que a relação com o torcedor é unilateral. A arquibancada entra com o carinho, com o apoio, com dinheiro, se possível, e o clube..... bem, o clube entra com o que achar que deve entrar. Alguém acha coincidência tantas pessoas neste mesmo site nos últimos tempos cogitarem cancelar seus programas de sócio-torcedor? Ou temos algo parecido com o que nosso rival Palmeiras tem hoje, um programa em que 100% do valor arrecadado vai para contratações? Que voz tem o torcedor hoje? É isso, creio, que faz com que as reclamações surjam.
Acredito que, neste momento, a torcida é quem menos deve ser crucificada. Concordo que o planejamento do clube deve ser feito visando os próximos anos, e não o próximo campeonato, apenas. Mas não tenho indícios de que esta diretoria, surda aos apelos do torcedor, vai tratá-lo com respeito e, por isso, fará as coisas com a calma e o cuidado necessários. O problema, em minha opinião, é de falta de respeito com aquele que acompanha o clube nas piores situações, e torce nos momentos mais difíceis. Como disse antes, creio ser a torcida o maior patrimônio do clube. E enquanto essa diretoria virar as costas e ignorar seus apelos, só poderei crer que a completa falta de noção é dela, que não ofereceu à instituição força alguma nos últimos tempos, trilhando seu caminho de maneira autocrática, nem se coloca em posição de rever seus conceitos.
Grandes abraços a todos!
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