O problema com o Doriva...
Sou um daqueles torcedores que prefere torcer para o técnico dar certo, mesmo que este não seja e de sua preferência, do que ficar metendo o pau ou cultivando o clima de "eu já sabia". Gostando ou não, acreditando ou não, Osorio é passado, boa sorte pra ele, tomara que seja muito feliz.
Torço para o Doriva dar muito certo, que o time se encontre com ele e tenhamos felicidades tanto de ver a bola rolando bonito quanto de poder comemorar muitas vitórias.
Mas tem algumas atitudes e declarações dele que me preocupam.
Em seus primeiros treinamentos com o time, posicionou cones na intermediária com a orientação: "volantes não passam daqui". Cruz credo, volantes presos na marcação é coisa de antes da década de 80. Essa preocupa muito.
Outra foi a declaração de que Breno é zagueiro de origem e só vai jogar na zaga, dando a entender que não o utilizaria como volante, é outra má indicação.
Primeiro, que ele jogou muito bem na posição, muito melhor que o Hudson vem se apresentando, e isso não é teoria, é fato prático. Se ele não gosta de improvisações, OK, mas não pode ser assim tão fundamentalista também. Afinal de contas, o Cafu era um meia estabanado, o Telê inventou ele de lateral direito, e o resultado tá na história do Sampa, da seleção e de outros clubes. O Rodrigo Caio, desde que começou no profissional, sempre foi volante, e para o próprio Doriva, está muito bem consolidado na zaga. E o próprio Breno, quando deslanchou no Sampa, numa zaga de três várias vezes atuava direto pela direita, como falso lateral direito - foi numa arrancada dessas que fez aquele golaço que carimbou o passaporte dele para o Bayern.
O resultado de domingo passado, ora, totalmente normal perder do Flu no Maracanã. Empatar seria bom resultado, ganhar seria excepciona. Uma, duas, três derrotas, não são o ponto central da minha preocupação, mas sim essas atitudes e declarações que infelizmente dão a impressão de uma visão muito limitada e pouco antenada do futebol moderno.
Da perspectiva da gestão do futebol, a escolha do Doriva também incomoda pelo aspecto do critério, da coerência. Antes da escolha do Osorio, haviam umas diretrizes, um discurso, de se buscar um tecnico de perfil moderno, atualizado, de preferência com experiência no futebol europeu/internacional, privilegiasse a ofensividade, e especialmente que tivesse facilidade em trabalhar com a base e lançar jogadores. Por isso se falou em Sampaoli, em Villas Boas, em Sabella... e por fim se trouxe o Osorio.
Vendo por esse ângulo, a escolha do Doriva, simplesmente não encaixa de forma alguma no que seria esse esboço de projeto de médio-longo prazo, não combina com aqueles conceitos e justificativas antes apresentados, e, (nada pessoalmente contra o Doriva MESMO), passam a impressão de uma improvisação, de um tampão, que pode até ter algum resultado, mas que em termos de gestão, nada tem de pensado, planejado, de integrado, nada agrega de novo. Um ato impulsivo, autoritário, de um dirigente perdido e de saída do clube.
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