Dois meses de vida e filial de bebidas: conheça a empresa que negociou zagueiro com São Paulo
Publicado em 22 de setembro de 2015 por PauloPontes
iago
Além do valor e do método da contratação, a empresa tida como intermediária é outra peculiaridade da negociação do São Paulo para ter o zagueiro Iago Madiana, de 19 anos. A Itaquerão Soccer tem pouco mais de dois meses de vida e é uma filial de uma distribuidora de bebidas de mesmo nome sediada na Zona Leste da capital paulista.
De acordo com o site da Receita Federal, a “Itaquerao Soccer LTDA – EPP” foi aberta no dia 17 de julho de 2015 sob o CNPJ de número 22.871.430/0001-11, com capital de R$ 500 mil. A sede registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica fica no endereço Avenida Líder, Nº 1550, no bairro de Cidade Líder.
O local em questão aparece como uma loja de automóveis em rápida pesquisa no Google Street View e é praticamente ao lado de onde fica a Itaquerao Distribuidora LTDA, do comércio de bebidas, cujos telefones constam no cadastro feito para a abertura da Itaquerão Soccer. A reportagem ligou para o número e foi informada por um dos sócios da empresa (leia mais abaixo) de que o futebol foi uma área criada pelo grupo há apenas dois meses. Já outro sócio, que se apresentou apenas como Fernando, disse que o endereço da loja de carros foi usado porque a empresa ainda está em fase de estruturação.
A Itaquerão teve participação fundamental na contratação de Iago Maidana pelo São Paulo. Por R$ 800 mil, a empresa tirou o jogador do Criciúma e o repassou ao Monte Cristo, clube da terceira divisão de Goiás. Lá, ele ficou registrado por apenas dois dias, sendo negociado com o Tricolor em seguida. Os dirigentes são-paulinos confirmam a transação.
– O Iago poderia ter ficado um ano, quatro meses ou dois dias, como foi. E só foi porque o São Paulo tinha pressa. O pessoal da Itaquerão mostrou a proposta e eles aceitaram. O São Paulo ofereceu o salário e o Iago aceitou. Sei disso. Só falei com o pessoal da Itaquerão. Do São Paulo não conversei com ninguém. Vimos uma oportunidade de negócio, claro, porque sabíamos do interesse do São Paulo, que jamais entraria numa enrascada – afirmou Getúlio Orlando de Souza, presidente do Monte Cristo, ao LANCE!.
Para ter o jogador, o São Paulo pagou três vezes mais do que os empresários desembolsaram para tirá-lo do Criciúma. O acordo prevê pagamento de R$ 2 milhões por 60% dos direitos econômicos, mais R$ 400 mil caso Iago atinja dez jogos pelo profissional. Curioso é que ele viria para compor a base, mas já está treinando com o técnico Juan Carlos Osorio.
De acordo com Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente do São Paulo, a negociação foi conduzida por José Eduardo Chimello, gerente-executivo do clube. Chimello teria seguido indicação de Júnior Chaváre, ex-gerente da base que deixou o clube há quase um mês e atualmente trabalha no Grêmio. Maidana foi contratado há duas semanas, quando Chaváre já não estava.
PROBLEMA COM A FIFA
Pela negociação de Iago Maidana, São Paulo, Monte Cristo e Itaquerão Soccer devem ser chamados para dar explicações à Confederação Brasileira de Futebol. Isso porque as novas orientações da Fifa para transferências de atletas vetam a participação de terceiros, no caso a empresa intermediária.
E, em entrevistas exclusivas ao L!, tanto um representante da Itaquerão quanto o presidente do Monte Cristo indicam participação da empresa na compra do jogador.
– O Iago Maidana é um garoto que era do Criciúma e rescindiu. Aí um grupo de empresários comprou. É um grupo com o qual temos uma parceria e que achou por bem vincular o atleta ao nosso clube. Só repassamos ao São Paulo depois. Somos descobridores de talentos. No caso do Iago, ele chegou já rescindido, então não é problema meu quem pagou ou quanto pagou – afirmou Getúlio, presidente do Monte Cristo, que foi rebatido pelo sócio e empresário Fernando.
– Não temos razão para temer, porque não atuamos nesse caso como grupo de investidores. Foi o Monte Cristo que efetuou o pagamento ao Criciúma. Participamos de toda a administração do clube, é algo feito de longa data que envolve até o fornecimento de material esportivo. Essa história não foi do dia para a noite, mas as portas se abriram no caminho e ele se encaixou nas necessidades do plantel do São Paulo. Não entendo a razão para tanto barulho – disse o agente.
Ainda de acordo com Getúlio, o Monte Cristo tem parceria com a Itaquerão há seis meses, data que antecede o registro da empresa na Receita Federal. Isso deve-se, segundo Fernando, a seu trabalho mais longevo no futebol. Os outros quatro sócios envolvidos (Wilton Martins, Andreia Macedo Marques e Agnaldo de Queiroz Crussi) ajudariam apenas na administração, com a execução das tarefas no esporte destinadas a Fernando.
Abaixo, você confere o diálogo da reportagem por telefone com Wilton Martins, que se apresentou como sócio da Itaquerão:
Wilton Martins: Itaquerão Distribuidora, boa tarde!
LANCE!: Boa tarde! Por favor, não é da Itaquerão Soccer?
WM: É sim, é a mesma empresa.
L!: Mas vocês trabalham com bebidas e futebol?
WM: Isso. A parte das bebidas começou há dois anos. A de futebol há dois meses. Todas nossas empresas têm Itaquerão no nome.
L!: Entendi. Com quem eu posso falar sobre futebol, então?
WM: Eu mesmo.
L!: Sobre a compra do Iago Maidana pelo São Paulo também?
WM: Pode ser também, sou um dos sócios aqui.
L!: Como foram as negociações para comprá-lo? Custou R$ 800 mil por 100% dos direitos?
WM: Isso mesmo. Compramos direto do Criciúma. Éramos da área de bebidas, mas agora vamos investir pesado no futebol.
L!: E aí levaram para o Monte Cristo (GO)…
WM: Levamos. Nós ajudamos eles por lá.
L!: E só depois o São Paulo entrou no negócio? Por quanto foi selada a venda?
WM: O São Paulo foi agora, mas não sei te dizer qual foi o valor… Quem cuidou mais foi meu sócio, o Fernando. Se quiser posso passar o contato dele.
L!: Se possível, por favor. Qual o nome completo dele?
WM: ‘Putz’, agora não consigo lembrar. Mas pergunta tudo para ele que vai te explicar.
L!: E como vocês vão agir como investidores agora que a Fifa restringiu esse área de atuação?
WM: Não investimos pra ninguém, só cuidamos das carreiras dos jogadores. Temos muitos meninos bons aí chegando. Vamos entrar fortes nesse mercado.
L!: Mas no caso do Monte Cristo vocês agiram como investidores, não?
WM: Não, não… Só cuidamos dele. Todas nossas empresas ficam aqui em Itaquera e aqui tem muita gente boa surgindo. Vamos levar eles para o país inteiro.
L!: Meninos de Itaquera? De clubes amadores?
WM: Isso, rapaziada de terrão mesmo.
L!: Entendi. Bom, obrigado pela atenção e boa tarde!
WM: Boa tarde!
Nota do PP: eu até ia escrever uma nota minha aqui a respeito, mas como já estou cansado de alguns seres que me acusam de ser sempre contra o presidente e a diretoria, deixo a critério dos leitores a análise. Mas confesso que estou envergonhado de tudo isso. Mas certamente o presidente do São Paulo irá dizer que o Lance está contra ele, que não presta e, como sempre, fazer várias acusações infundadas como defesa, sem explicar o caso. É, então, só mais um caso estranho para nossa coleção.
Fonte: http://tricolornaweb.com.br/noticia/dois-meses-de-vida-e-filial-de-bebidas-essa-empresa-negociou-zagueiro-com-spfc/
Nota:
Pode falar com o "Fernando, meu sócio que tratou mais diretamente sobre a contratação do Iago". Qual o nome completo dele? Putz!, Agora eu me esqueci do nome completo dele.
Lastimável como há desde o 3ª mandado de JJ um processo que anda a passos largos de apequenamento do São Paulo. Se essas histórias continuarem, logo logo seremos um Vasco ou até mesmo um Palmeiras que foram gigantes no passado e hoje não são nem sombra daquilo que foram um dia...
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