Osório, a esperança, e a única grande e boa notícia atual de um clube imerso em problemas.

Sampearth

Sou são paulino acima de tudo, nas boas e más fases, não guardo minha camisa esperando as vitórias.
Vou ao Morumbi em jogos pequenos, tomei muita chuva e sol na cara, peguei filas intermináveis quando não se comprava ingresso pela internet, fiquei de madrugada sem ônibus e dinheiro para táxi, voltei para casa caminhando 17 kms, no frio e madrugada adentro.
Enfim, minha paixão pelo clube não é condicional à fase do time, aos jogadores que compõem o elenco, à competição que disputamos, ou qualquer circunstância, porque eu sou São Paulo desde que me reconheço como gente e vou morrer assim.
Na história do clube sempre convivemos com a reputação de exemplo administrativo, saúde financeira, pontualidade no cumprimento das obrigações, e tudo o mais que credenciava o clube como a referência no país.
Ultimamente só colhemos más notícias, somos agora protagonistas de manchetes que ora apontam o clube como refém de dívidas impagáveis, fruto de má gerência e administração, ora por revelar brigas e picuinhas políticas internas, em total descomprometimento com a imagem do clube perante o público do futebol e sua imensa legião de torcedores.
Ou seja, já somos o anti modelo, o exemplo negativo, a piada na boca dos demais torcedores.
Eu jamais imaginei viver um momento assim com meu clube, especialmente em face de sua história.
Osório se revela a cada partida, na sua relação com a imprensa, com todos os profissionais do meio do futebol, com o torcedor e com a própria direção do clube, um dos maiores achados dentro desta mesmice, deste reacionarismo, deste conservadorismo, e falta de inovação e coragem que se tornou o futebol brasileiro.
Seu preparo, inteligência, experiência, educação, trabalho intenso, estudo sobre o esporte chega a espantar os que aqui sempre conviveram e se acostumaram a treineiros com fórmulas prontas, treinos mecânicos, discursos clichês, enquadrados em um modelo único de trabalho, pretensioso, tolerantes ou reféns com as "panelas" ou grupos que acabam tendo mais ascendência que o comando técnico sobre o elenco, quase submissos às vontades dos atletas "medalhões", em atitudes protetoras e paternalistas que suprimem ou enfraquecem os valores profissionais.
Mas o Osório quer apenas o trabalho, o futebol ofensivo em busca da vitória, a otimização do elenco e do atleta em constante aperfeiçoamento, a busca incansável pela perfeição.
É educado e nunca irado com a imprensa, não se constrange nem se enerva com as perguntas, estimula a diálogo quando se trata de futebol, ou seja, ama o que faz.
Mas ele tem encontrado o ambiente que esperava, dentro do clube que escolheu para se apresentar ao futebol brasileiro?
Acho que não, e nós verdadeiros são paulinos, temos que torcer, talvez rezar mesmo, para que continue conosco.
Em meio a tanta incompetência, talvez seja a nossa grande e última esperança de resgatar o clube.

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