TEXTO - análise perfeita sobre a realidade do tricolor !
Os títulos internacionais e nacionais conquistados pelo São Paulo no quadriênio 2005/06/07/08 renderam uma herança maldita ao clube. A culpa, é claro, não é das conquistas, e sim da maneira como dirigentes empolados conduziram o São Paulo desde então, escorados por uma poderosa campanha de marketing e por mimos excessivos da mídia.
Entre 2005 e 2008 o São Paulo foi tratado como o farol a guiar o futebol brasileiro rumo à modernidade. O único time a fazer tudo certo, desde as categorias de base, passando pelas contratações certeiras e por um CT de primeiro mundo (falou-se mais em Reffis do que no elenco). Virou então, o Soberano, um adjetivo tolo e fora de moda que resume o poder de reis e imperadores. Pode funcionar para fins de marketing, mas nunca ultrapassar esses limites. Só que ultrapassou.
Antes de prosseguir, tomemos um exemplo ocorrido no arquirrival Corinthians. Em 2011, uma campanha segundo a qual o Alvinegro “não vive de títulos” saiu pela culatra e virou motivo de chacota nacional. Sorte dos corintianos, que logo puderam perceber os limites de frases bonitinhas do marketing e a realidade do futebol. Todo e qualquer time grande vive, sim, de títulos. Quanto mais, melhor.
Pois o São Paulo, sem perceber, passou a acreditar que já não precisa de títulos. A letargia do time em campo encontra respaldo nos dirigentes e, pior, na torcida. É como se todos, em silêncio, acreditassem que este time altivo, superior, iluminado e soberano já não precisasse mais de vitórias para comprovar sua posição divina. Tal qual um Dom João VI, só falta encher os bolsos de asinhas de frango assado e passar o dia entediado, com a mão lambuzada.
Em 2014, o São Paulo tinha tudo para ser campeão brasileiro. E provou isso na virada dos turnos, engatando vitórias convincentes e bonitas, graças a jogadores com técnica bem acima do padrão nacional: Kaká e Ganso, especialmente. Porém, sem explicação e sem ser cobrado por ninguém, este mesmo time perdeu jogos inexplicáveis e deixou o Cruzeiro seguir tranquilo rumo ao bicampeonato. O vice e a vaga na Libertadores ficaram de bom tamanho, uma conclusão inaceitável para qualquer clube grande, com condições de ser campeão.
Para piorar, a equipe tem como comandante um técnico que também virou refém de uma crença marqueteira. Muricy “Aqui é Trabalho” Ramalho pode até estar trabalhando bastante, mas seu trabalho deixa a desejar. O treinador não consegue dar consistência defensiva e padrão ofensivo ao time que comanda há mais de um ano.
O corintiano Tite, que acaba de voltar ao Corinthians, colocou o São Paulo no bolso sem muito esforço no clássico da Libertadores. Aliás, o “Soberano” São Paulo parece já aceitar silenciosamente o fato de ser freguês do Corinthians. Esta postura não condiz com a história do clássico Majestoso, que, sim, tem vantagem corintiana, mas que nunca viu um dos rivais se apequenarem perante o outro. Hoje, o São Paulo se apequena neste clássico. Tristes dias.
O difícil é acreditar que Carlos Miguel Aidar, um presidente que tem se mostrado fanfarrão, um crente cego na teoria do “Soberano” possa conduzir a reconstrução da postura do clube e do time em campo. Há muito trabalho a fazer, mas Aidar parece mais disposto a criar factoides midiáticos do que em conduzir um clube campeão.
Talvez o combustível da mudança tenha de vir da torcida. Quanto antes os são-paulinos, em especial os mais jovens, abandonarem este discurso marqueteiro e cobrarem um time acordado em campo e dirigentes sérios, melhor.
fonte: esportefino (esportefino.cartacapital.com.br/critica-ao-sao-paulo-soberano/)
É meus amigos, venho sentindo isso faz tempo, mas nunca tinha achado um texto tão na ferida. ACORDEM PÔ.
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