Polemizando sobre a situação do futebol brasileiro – por Peixoto
O aumento das cotas de TV foi um mal para o futebol brasileiro. Os dirigentes dos clubes se acomodaram. Eles pararam de trabalhar pela busca de outras fontes de receita, e o futebol também sofreu dentro de campo. Com mais dinheiro as categorias de base passaram a sofrer maior desprezo. Os clubes passaram a contratar, em excesso, medalhões e atletas de qualidade duvidosa. Há elencos com cerca de cem jogadores ou mais registrados, um absurdo.
Mais: o aumento das cotas de TV fez os dirigentes se lambuzarem e endividar absurdamente os clubes. Os recursos menores de outrora obrigavam os “profissionais” do futebol a trabalharem mais e roubar menos.
Mudando de assunto, pouca gente vai admitir, mas o erro começou em 2010 quando detonaram o bom trabalho do Dunga. Vamos relembrar.
Em 2006 o Brasil fez a campanha da esculhambação na Copa da Alemanha. Passado o vexame, os dirigentes afiançaram que um trabalho seria desenvolvido visando a Copa-2014. Veio o Dunga e regatou a determinação dos jogadores para jogarem com disposição. Ele deu padrão à seleção com os bons jogadores remanescentes de 2006. O time foi eliminado pela Holanda com falha de goleiro, pênalti não marcado e expulsão na Copa da África do Sul. Mas, só porque Dunga não deixava a Globo trabalhar e zonear a concentração, ele foi decapitado em praça pública.
Tentaram levar Muricy, mas o técnico, percebendo a várzea dos dirigentes da CBF, recusou. Depois veio Mano Menezes. A ordem era para começar tudo do zero. Ele fez isto, apesar de algumas convocações, no mínimo estranhas, ele desenvolveu um novo time com vários tropeços. É sempre bom salientar que raramente uma seleção fora construída do zero, pois sempre aproveitou a base da copa anterior. Com Mano não foi assim, ele tinha ordens explícitas para montar outro time e levou vários tombos por isso.
De forma absolutamente arbitraria e estranha demitiram Mano e trouxeram o técnico do time rebaixado, Felipão. Interromperam um trabalho que já dava mostras de um início de decolagem. Felipão chegou e aproveitou a mentirosa Copa das Confederações – uma espécie de torneio de verão da FIFA – e enganou a todos ao vencer a decadente Espanha. A maioria da imprensa exaltou o “trabalho” do técnico: “agora temos treinador”, disseram. Grande coisa.
Sobre a ridícula copa, desde o início, não precisamos ficar aqui repetindo. A lição que fica, mais uma vez, foi o erro de ter interrompido um trabalho no meio do caminho. Eu teria mantido o Mano Menezes, que tantos detonaram. É melhor acreditar num trabalho de médio prazo do que ficar trocando e quebrando a sequência a todo instante. O técnico da Alemanha, por exemplo, não venceu nada até hoje. Ele sofreu várias derrotas, mas estão acreditando no trabalho dele há oito anos. E olha que o tal Joaquim não é tudo isso, ele teve sorte por algumas contusões e parece ter descoberto o time ideal para a Copa por causa disso.
Felipão não tem a mínima condição de continuar após o 7x1. Gostaria que viesse um estrangeiro, mas a arrogância da CBF não vai permitir, porque qualquer estrangeiro faria uma série de exigências estruturais. Caso o trabalho não desse certo, devido à situação caótica do futebol daqui, o cara jogaria tudo no ventilador e exporia ao mundo os babacas que existem naquela pocilga. Vocês podem até me detonar por isto, mas um técnico que tem a cara desta CBF, dos dirigentes e está louquinho pra voltar chama-se Vanderlei Luxemburgo. Acho ele horrível como técnico, mas daria casamento bom ele e a CBF.
Em tempo: o Brasil precisa de um técnico estrangeiro, e teve certa vez que até um argentino foi técnico da seleção brasileira.
E chupa Globo, o maior câncer do futebol brasileiro, e talvez o maior culpado por tudo isso.
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