Para ler e refletir como se gere o futebol em grandes equipes
Para o Dortmund, era chorar as perdas ou resolver. Resolveu
Borussia Dortmund é um clube refém do seu próprio sucesso. Desde o fim da temporada 2010/2011, quando voltou a ser campeão alemão após oito anos, é normal o torcedor ter que dar adeus a um jogador que ainda tinha muita alegria a dar à "Muralha Amarela". Com uma política de gastos rígida e austera, o que leva a uma folha salarial enxuta, o Dortmund tem se mostrado uma presa fácil para clubes europeus endinheirados. Mas em vez de ficar lamentando a situação ou colocar a culpa no fim da "Lei do Passe", os dirigentes a se mexerem e resolveram a situação.
O trabalho vitorioso do técnico Jürgen Klopp renovou, revelou, amadureceu e valorizou demais o elenco Borussia Dortmund. No primeiro Campeonato Alemão dele em Dortmund, na temporada 2008/2009, a média de idade da equipe que mais atuou era de 25,8 anos. Na conquista do título da temporada 2010/2011, essa média caiu para 22,3 anos, praticamente um time olímpico. Jovens como Götze, Kagawa (que entrou no radar do clube na Segunda Divisão Japonesa!), Sahin, Bender, Hümmels, Schmelzer, Lewandowski (no radar do Dortmund desde que foi artilheiro da Terceira Divisão polonesa) e Subotic começaram a chamar a atenção dos principais clubes do continente.
Desde então, a cada temporada o Dortmund perde um jogador importante. No meio de 2011 Sahin, que tinha se recusado a aumentar o tempo de contrato, foi vendido ao Real Madrid para não sair de graça um ano depois. Em meados de 2012 foi a vez de ocorrer o mesmo com Kagawa, que desembarcou no Old Trafford. E, mais recentemente, o clube foi surpreendido, na reta final da Liga dos Campeões, pela notícia de que sua maior jóia, Mario Götze, aceitou ir para o rival Bayern de Munique, com o pagamento da multa rescisória.
Foram três baques consecutivos. No entanto, não conseguiram tirar o clube do rumo, pois o excelente trabalho da diretoria comandada por Reinhard Rauball (que realizou o processo de reconstrução de uma instituição que estava falida) e pelo técnico JürgenKlopp deram resultado. O Dortmund foi buscar reposição para cada uma das perdas. Sahin quis ir embora? Por 4 milhões de euros foram buscar Ilkay Gündogan no Nuremberg. Saiu Kagawa e, pelo mesmo preço, 17 milhões de euros, chegou Marco Reus, pagando a cláusula de rescisão ao Borussia Monchengladbach.
Agora é a vez de repor Götze. O Dortmund escolheu gastar os 37 milhões de euros que recebeu do Bayern em um jogador do Gabão e outro da Armênia. Quem não acompanha deve ter ridicularizado. O gabonês, Pierre-Emerick Aubameyang, uma eterna promessa do futebol mundial que se soltou, fez 37 gols e deu 20 assistências nas últimas duas temporadas na França, pelo Saint-Etienne. O armênio, Henrikh Mkhitaryan, foi um dos destaques do Shakhtar Donetsk nas últimas duas temporadas. Embora, individualmente, os dois estejam abaixo de Götze, juntos, podem repor a saída do ex-ídolo.
Aubameyang já jogou duas vezes na temporada. Deu uma assistência no título da Supercopa da Alemanha contra o Bayern e meteu três gols em sua estreia no Campeonato Alemão, contra o Augsburg, fora de casa. Com muita força nas entradas em diagonal e ótimo poder de finalização. Mkhitaryan ainda não jogou porque está machucado. Mas quando o fizer pode dar muita variação à linha de meias do Dortmund, trocando de posição com Kuba e Reus pelos lados, trabalhando muito bem como meia central (embora não seja tão criativo quanto Götze) e encostando em Lewandowski, já que costuma entrar muito na área para finalizar (bem mais do que Götze faz).
As perdas foram inevitáveis. O Dortmund poderia estar até hoje remoendo isso. Mas preferiu trabalhar e repor. Desde a saída de Sahin (que aliás voltou na temporada passada), são dois títulos alemães, uma Copa da Alemanha, além da viagem à decisão da Liga dos Campeões no último mês de maio. Uma lição para muitos clubes ao redor do mundo, em especial aos brasileiros.
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