A dor e a decepção de Rogério Ceni
Talvez o jogador mais importante da história do São Paulo, o goleiro Rogério Ceni vive momentos de enorme decepção no gol tricolor. Dono da camisa 1 do clube há quase duas décadas, o capitão são-paulino sabe que o momento de parar chegou. Isso, inclusive, pode acontecer já no final desta temporada.
Se não bastasse a dor da aposentadoria, que fere o jogador de forma cruel e fria, Rogério precisa conviver com uma reta final de carreira recheada de vexames.
Todos sabem do desejo do craque de terminar a carreira com um grande título. No entanto, isso parece estar cada vez mais longe do camisa 1.
Rogério nunca escondeu que o grande objetivo da temporada era a Libertadores da América. Vencer o torneio continental seria a glória e a chamada cereja no bolo diante de uma carreira vitoriosa e recheada de títulos.
O tiro saiu pela culatra. O camisa 1 viu o São Paulo cumprir uma de suas piores campanhas na Libertadores, acumulando vexames dentro e fora de casa.
Na partida derradeira, que decretou a eliminação do time, o São Paulo foi goleado e Rogério Ceni exposto de forma impiedosa a um Atlético avassalador no Independência. Uma noite para ser esquecida.
Passada a Libertadores, Ceni mira a Recopa e o Brasileirão. No entanto, o time não mostra reação. Pelo contrário. Parece afundar num buraco sem fim.
Veio a primeira partida da Recopa contra o Corinthians e a derrota se consumou, no Morumbi. Neste meio tempo, saiu Ney Franco, demitido, entrou Paulo Autuori.
Na partida de volta, na próxima quarta-feira, o time terá de se superar para desbancar o atual campeão do mundo em pleno Pacaembu. Difícil, mas não impossível. Rogério sonha, mas sabe que a missão será bem complicada, sobretudo pelo desempenho dos seus atuais companheiros.
Na condição de capitão, Ceni não joga a toalha. Nas declarações pós-jogos, o goleiro responde as perguntas de forma evasiva. Faltam-lhe explicações, mas sobra brio.
A cada derrota do Tricolor sofre o jogador e o torcedor. Ceni é um profissional exemplar e um apaixonado pelo São Paulo.
O adeus não está confirmado para dezembro. Pode acontecer... Meu “feeling” diz que será mesmo ao final do ano. Rogério sempre jogou em alto nível e está ciente que as defesas agora estão mais difíceis. O reflexo tem deixado também a desejar e os gols sofridos atualmente não aconteciam há alguns anos. A idade (40 anos) joga contra o craque do gol.
A busca por um adeus digno, se possível com um título, segue em pauta. A Recopa está aí, à disposição do Tricolor e do seu capitão. O duelo será na próxima quarta-feira. Quem sabe o amigo e técnico Paulo Autuori consiga motivar o atual Tricolor a ponto de o time dar uma guinada, superar o rival e presentear o capitão com o caneco? Seria a glória e um muito obrigado ao goleiro-artilheiro.
Caso a Recopa escape pelos dedos, o Brasileirão será a última esperança do capitão, caso a aposentadoria se confirme mesmo em dezembro. No entanto, o nacional é uma competição de fôlego, que premia os clubes organizados e de elenco numeroso e de qualidade. O Tricolor atual não está neste patamar.
Goste ou não de Rogério, é preciso dar a mão à palmatória. O capitão tricolor está na história do clube e do futebol mundial como um dos melhores goleiros do mundo. Além de defesas maravilhosas, Ceni escreveu seu nome com gols.
Rogério merecia uma reta final de carreira melhor e mais justa com a sua história dentro do São Paulo. Um time competitivo e que mantivesse ao menos acesa a chama da esperança da conquista de um título era o mínimo que a atual diretoria poderia oferecer ao goleiro, que cedeu sua vida ao clube do coração.
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