[OFF] Revolução Alemã. A revolução técnica nas divisões de base e esquema de jogo.
No início da década passada, a Alemanha sofria com uma forte carência de novos talentos. Apenas Michael Ballack era considerado um jogador de talento inquestionável no futebol europeu e com anos à frente em alto nível. Percebendo isto, a Federação Alemã estudou suas opções e promoveu uma modificação radical na estrutura do país: focou na formação de jogadores.
O modelo foi apresentado em 1999 por Franz Beckenbauer, presidente do Bayern de Munique, Dietrich Weise, diretor de categorias de base da Federação Alemã, e Rainer Calmund, diretor-executivo do Bayer Leverkusen. O resultado é extraordinário e iremos apresentá-los neste artigo.
Foram criados 121 centros nacionais de treinamento por todo o país. Crianças de 09 a 17 anos começaram a desenvolver seus talentos perto de casa, sem vinculação com clubes, aprimorando-se técnica e psicologicamente. Todos os times da Primeira e Segunda Divisão deveriam ter escolinhas com treinadores em tempo integral. O modelo é seguido até hoje: atualmente são 366 centros nacionais, a um custo de 13 milhões de euros e englobando 25 mil meninos e meninas de 9 a 17 anos.
Os alemães perceberam que a técnica estava sendo colocada em segundo plano e resolveu alterar esta concepção, diferenciando-se inclusive do histórico do futebol alemão, baseado na força física e na imposição tática. O modelo de trabalho segue estas instruções: o trabalho nas categorias de base começa aos nove anos, em times com apenas 4 jogadores e campo reduzido para desenvolvimento de habilidades individuais. Somente aos 13 anos de idade, os times tem 11 jogadores em cada lado e tamanho total do gramado.
Vejam como a molecada joga e treina desde o mirim, neste vídeo:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=eC1KjmPOrIA#!
Todavia, este esforço não surtiu muito efeito até a temporada 2002/03, quando quase 60% dos jogadores eram estrangeiros e de um nível técnico deficiente. Afinal, com dinheiro fácil, os times alemães contratavam jogadores nos centros menores da Europa, sobretudo no Leste e a Bundesliga repetia seus pares com débitos imensos e gastos inexplicáveis.
Porém neste ano, o conglomerado de mídia Kirch TV faliu e o dinheiro da TV Digital sumiu. Os clubes se livraram de salários imensos e voltaram as suas atenções para os times de base, aproveitando de fato a estrutura que havia sido montada a partir de 1999.
Um exemplo claro ocorreu com o Stuttgart. Praticamente falido, o time tradicional não comprou nenhum jogador por um ano e meio. Sendo assim, talentos da base, formados nas escolinhas, começaram a receber chances no time principal como Kevin Kuranyi, Timo Hildebrand e Andreas Hinkel. Em 2007, o VfB Stuttgart se sagrou surpreendentemente campeão alemão. O número de jogadores estrangeiros já havia baixado,para 44%.
A Liga criou fortes restrições orçamentárias, reduziu o endividamento dos clubes e tornou compulsório o investimento em categorias de base. Este é o segredo do trabalho. Hoje os times alemães investem em média 100 milhões de euros no desenvolvimento de atletas. Se tornou mais rentável formar jogadores e depois vendê-los a preços altos do que simplesmente comprar e vender jogadores já prontos.
Com maior identificação com os clubes, os atletas de base trouxeram uma ligação muito forte com a comunidade. Na atual temporada 62% dos atletas em campo na Bundesliga são passíveis de convocação pela Alemanha, o melhor índice da Europa.
O resultado é visível: triunfos no Europeu sub-17, sub-19 e Sub-21. 100% dos jogadores da Alemanha na Copa do Mundo de 2010 foram formados nestas escolinhas. Quinze atletas regularmente convocados pela Alemanha tem no máximo 24 anos de idade. Ou seja, estarão tranquilamente disponíveis para competições internacionais até 2020, no mínimo.
Esta mudança também passou para concepções táticas alemãs, que estão reinventando o jeito moderno de se jogar futebol. Até 2002, a Alemanha utilizava o totalmente ultrapassado esquema com um líbero (Lottar Matthäus e depois Mathias Sammer). Depois, o técnico Jürgen Klinsmann adotou um classico 442 inglês, com linhas de 4 e sem flexibilidade: ao se marcar os meias abertos do time alemão, a equipe perdia profundidade.
Joachim Löw, auxiliar de Klinsmann e atual técnico da Alemanha, mudou o sistema para um 4-2-3-1 bastante ousado, especialmente com a afirmação do talento de Mesut Ozil. Sem centroavante fixo, com meias extremamente agressivos e um futebol dos mais velozes que vi, a Alemanha sem dúvida foi o time que jogou mais bonito nos últimos anos. Mais até que a Espanha e seu "tiki-taka" catalão.Vejam um exemplo no contra-ataque que sacramentou o 4x1 na Inglaterra em 2010:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=QhxwMa8D5XE
Um esquema copiado por times de todo o planeta, em todos os continentes. A Alemanha tem capitulado em decisões continentais e nas Copa do Mundo, onde a diferença entre a glória máxima e o quase é muito pequena.
Mas tem chegado sistematicamente. Uma hora, acerta...
Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/almanaqueesportivo/2013/04/16/revolucao-alema-parte-ii-a-revolucao-tecnica-nas-divisoes-de-base-e-esquema-de-jogo/

O São Paulo Futebol Clube, que sempre foi de vanguarda, poderia ser o primeiro clube brasileiro a transformar sua escola de futebol de base copiando os alemães. Em Cotia há todos os recursos para isso, exceto pessoas com mentalidade moderna.
Abs.
Peixoto.
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