Análise pós jogo e algumas observações
Análise pós-jogo.
Passadas as primeiras horas do jogo, vou tentar fazer algumas observações sobre o jogo e o time. A começar pelo sistema defensivo.
Lúcio jogou bem, impôs seu estilo e, embora tenha perdido uma bola ou outra, foi um dos melhores em campo pelo São Paulo. Rodolfo não comprometeu, mas também não passou muita segurança. Aliás, isto, em minha opinião, tem se mostrado corriqueiro.
Cortez ontem foi tímido. Não apoiou muito e ficou preso nas investidas do Atlético. Paulo Miranda é um bom marcador, mas seu apoio é muito limitado. Não tem velocidade e tampouco sabe driblar.
O meio de campo do Tricolor não funcionou ontem. Denilson carregou o piano sozinho ali, e também sozinho colocou a bola no chão e procurou jogo. Wellington, inexplicavelmente, se escondeu do jogo. Não atuou com a bola e tampouco foi um efetivo marcador. Falhou na marcação sobre Ronaldinho no segundo tempo. Deveria ter procurado um espaço. Acho que está na hora de Ney Franco dar uma agitada nele, permitindo que Fabrício lhe faça sombra.
Já Jádson procurou o jogo, mas foi pouco efetivo. Tentou muito, mas não criou nada. Parece-me que é o jogador que mais sente falta de Lucas, já que este prendia os marcadores rivais e permitiam que ele jogasse livre.
Douglas e Osvaldo cumpriram bem seus papéis defensivos. Ajudaram muito na marcação, mas pecaram na criação, principalmente Douglas.
Aliás, uma ressalva quanto ao futebol de Douglas. A meu ver, tem a velocidade como sua principal qualidade, mas não sabe explorá-la. É comum receber a bola e travar a jogada, tentando dribles curtos ou cortes para esquerda pouco produtivos. Deveria se infiltrar mais pelos fundos e ser mais incisivo nas suas jogadas. A meu ver, é o típico jogador para o qual atuar de forma regular já é o suficiente – não se doa integralmente. Uma pena, porque tem potencial.
Osvaldo, como já disse, marcou muito, mas foi pouco efetivo na frente. No segundo tempo cresceu bastante, mas ainda assim atuou abaixo da crítica.
Luís Fabiano tentou ontem, mas também não estava muito bem. Teve uma chance clara, bateu bem, mas foi infeliz. Em um cruzamento ainda no segundo tempo, poderia ter finalizado por trás da zaga, com boas chances ao gol, mas sabe-se lá porque não acreditou na bola.
Pra ser sincero, não gosto quando ele sai lá da frente. Ontem ele fez muito isto e, embora tenha dado o passe para o gol de Aloísio, foi ineficiente em boa parte do jogo. Mas não dá para criticá-lo muito quando não há muita criação de jogadas, como ontem.
Aloísio e Ganso entraram bem. Melhoraram o time. Maicon jogou pouco tempo, mas com mais participação que Wellington.
Aqui, se me permitem, algumas análises táticas. Jogando com Douglas na frente, em algumas ocasiões, Ney Franco poderia abrir mão de um volante (para mim, Wellington) e montar uma linha de quatro, atrás de Luís Fabiano, com Douglas, Jádson, Ganso e Osvaldo. É óbvio que isto exigiria muita obediência tática destes quatro. Mas falo isto porque acredito que eles possuam esta qualidade.
A ideia, a meu ver, é uma alternativa para um time que tem se mostrado previsível sem o Lucas.
Outra situação seria montar um esquema com três zagueiros, tirar um volante e acrescentar um meio-campista – Ganso ou Cañete no caso (desde que, é óbvio, haja o comprometimento tático deles). Contudo, acredito que jogar com três zagueiros sequer passa pela cabeça de Ney Franco.
Pois bem. Estas são algumas observações que fiz do jogo anterior e também do próprio esquema tático do São Paulo. Só queria ressalvar que não considero a atuação do São Paulo de ontem desastrosa. Aconteceu e, de certa forma, pode ser considerada normal. Mas, evidentemente, sem esconder os erros.
Abraços a todos.
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